
O “silêncio moral” é um fenômeno preocupante que ocorre quando indivíduos dentro de uma organização optam por não expressar preocupações éticas ou questionar decisões que consideram erradas.
Esse comportamento pode ser motivado por medo de retaliação, fatos injustos praticados contra pessoas de bem, preocupação com a imagem pessoal ou a crença de que falar não fará diferença.
No entanto, o silêncio moral tem consequências graves, contribuindo para a manutenção de culturas tóxicas e impedindo o progresso ético da instituição. Ele normaliza comportamentos inadequados e permite que condutas ilegais, prejudiciais, ofensivas e negligentes persistam sem contestação ou defesa.
Os escândalos éticos que vêm à tona frequentemente têm o silêncio de pessoas bem-intencionadas como um de seus ingredientes-chave. Como líderes e profissionais comprometidos com a ética, é nossa responsabilidade criar e promover uma cultura organizacional em que a voz ética seja não apenas permitida, mas incentivada.
Isso implica em estabelecer mecanismos seguros e eficazes para que os colaboradores expressem suas preocupações, garantindo que essas contribuições sejam valorizadas e resultem em ações concretas para resolver problemas éticos. Essa abordagem não só fortalece a integridade da organização, mas também contribui para um ambiente de trabalho mais saudável e ético para todos os envolvidos.
Além disso, é importante reconhecer que o silêncio moral não afeta apenas o ambiente interno da organização, mas também tem impactos significativos na sociedade em geral.
Quando condutas antiéticas não são desafiadas e corrigidas dentro das empresas, elas tendem a gerar consequências negativas para clientes, fornecedores, comunidades e até mesmo para o meio ambiente.
A utilização de uma liderança exploradora e por muitas vezes injusta é um dos principais mecanismos subjacentes ao silêncio moral e ético. A descoberta fornece um quadro relativamente mais completo sobre a mediação do significado do trabalho e da potência moral de uma instituição relacionada justamente sobre a liderança exploratória.
Neste sentido, a liderança exploradora serve como um estressor na organização em que recursos e atividades dos colaboradores estão ameaçados, ocasionando, assim, perdas significativas para a instituição em que, para os colaboradores, manter o silêncio sobre questões éticas torna-se uma decisão mais segura.
Especificamente, os líderes exploradores se valem de uma vasta gama de táticas para explorar os seguidores em benefício próprio ou em detrimento de outros líderes, incluindo agir de forma egoísta, manipular atividades e situações, exercer pressão e minar o desenvolvimento de seus colaboradores.
Neste contexto, permanecer em silêncio, especialmente sobre questões relacionadas à ética, é uma estratégia de sobrevivência viável para a conservação das atividades e do emprego dos colaboradores diante da natureza antiética da dita liderança exploradora.
A liderança exploradora restringe o conhecimento e o reconhecimento de seus colaboradores, o significado da instituição e o crescimento que os funcionários podem ver no seu trabalho. Sob o comando de líderes exploradores é improvável que os colaboradores sejam valorizados, atribuam tarefas interessantes ou que tenham oportunidades de desenvolvimento profissional ou progressão na carreira, independentemente de seu desempenho ou de quanto esforço coloquem o trabalho.
Portanto, combater o silêncio moral requer um esforço coletivo e contínuo de todos os membros da organização, desde a liderança até a base. Isso envolve promover uma cultura de abertura, transparente e de responsabilidade em que todos se sintam capacitados a levantar questões éticas sem medo de represálias e/ou injustiças.
Além disso, é fundamental oferecer canais de comunicação seguros e confidenciais para relatar preocupações e garantir que as denúncias sejam tratadas de forma justa e eficaz, sem margem para perseguições e condenações infundadas.
Ao priorizar a ética e a integridade em todas as facetas da vida organizacional, podemos trabalhar para criar um ambiente onde o silêncio moral seja substituído pelo diálogo aberto e pela ação ética. Somente assim poderemos construir organizações verdadeiramente responsáveis, sustentáveis e justas, capazes de contribuir positivamente para o bem-estar de todos os envolvidos e da sociedade como um todo.
Ainda, é crucial investir na educação e na conscientização sobre questões éticas em todos os níveis da organização. Isso inclui programas de treinamento regulares que abordam dilemas éticos, incentivam a reflexão crítica e fornecem orientação sobre como agir em situações éticas complexas.
Ao promover uma cultura de responsabilidade ética, as organizações não apenas reduzem o risco de escândalos e danos à reputação, mas também fortalecem sua resiliência e sustentabilidade a longo prazo. Colaboradores que se sentem capacitados e incentivados a agir com integridade são mais propensos a tomar decisões éticas e a se engajar ativamente na promoção de um ambiente de trabalho ético e saudável.
Escrito por:
Raul Clei Coccaro Siqueira
Advogado – Integrante do Setor de Direito Eleitoral